segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Décimo Terceiro Dia - 6º BEC-Manaus



Depois de dormir em lençóis do Exército Brasileiro, acordamos bem cedo com a corneta e a ordem unida matutina dos soldados. Depois de ouvirmos em silêncio a palavra do Tenente Israel, motivando os comandados para mais um dia de trabalho, fomos convidados pra tomar o café da caserna. Muito bom e nutritivo por sinal. Fomos azeitar as motos pra prosseguir e sempre rodeados de soldados, sargentos e tenentes que se revesaram nas perguntas, terminamos nossa preparação e seguimos rumo a Manaus. O calor sempre insuportável nos fazia suar em bicas, e logo atingimos um pequeno rio, o Tupanas, que foi atravessado em uma micro balsa.mais asfalto com partes sendo reformadas e logo atravessamos a ponte do Careiro Castanho, almoçamos ali um PF na beira da estrada e seguimos. Logo uma balsa nos jogou diretamente em Manaus. Chegamos quase ao escurecer. Um amigo que fizemos na balsa nos levou até o Hotel Ibis, mas estava lotado, fomos pro centro e ficamos no Taj Mahal, um velho hotel 5 estrelas a um quarteirão do Teatro Amazonas. Janta e cama, que amanhã a coisa vai continuar quente.
Algumas considerações sobre a BR 319:
-Quem se aventurar a ir desafiá-la, tem que estar preparado fisicamente, porque a falta de estrutura transforma a aventura numa verdadeira loucura: tem que levar muita gasolina, água que fica quente em poucos km, comida pra pelo menos 4 dias, porque tudo pode acontecer. Ferramentas e kit pra reparo de pneu é indispensável. Instalei uma tomada de 12 V que se mostrou muito eficiente com um compressor. Não dispense barracas, toalhas e sabonetes.
-Nunca vá com moto que não tenha afinidade off road, mesmo tendo experiência e vitalidade, o sofrimento é grande, tivemos que tirar os paralamas devido ao barro e mesmo assim foi extremamente extenuante. Já na Lander e na XRE foi suportável. Levei a Sara na garupa e não foi fácil.
-Conte com os nativos, pois são incrivelmente gentis e prestativos. Dão lição de solidariedade e sempre que precisamos não nos decepcionamos.
-A 319 separa os homens dos meninos, hehehehehehe. Acredite: andar alguns km no off é gostoso, mas fazer mais de 500 não é mole não. A gente vai dormir quebrado, como se tivessemos trabalhado na enxada o dia todo. É trabalhado mesmo.... e quando acorda, ainda debilitado e mal dormido, tem que recomeçar. Atravessar suas pontes tem 3 diferentes aspectos: Primeiro as normais, quase como uma ponte normal, só que são enormes mata-burros com tábuas nos locais onda passam as rodas de um carro; segundo, as podres e quebradas, com vãos entre as tábuas longitudinais, verdadeiras armadilhas, ou ainda com a tábua interrompida no meio da ponte, transformando em loteria a escolha do lado certo pra ultrapassá-la; em terceiro, agumas são mais altas que o leito (?) da estrada, com uma rampa pra subir e outra pra descer. Não poucas vezesa gente entra lotado e sai ou voando ou em uma roda só, com 50 metros ou mais de ponte pra seguir sobre a tal táboa. O meio da ponte, em formato de mata-burros, nem sempre é confiável, pode ter madeira podre ou já esburacada, então é outra loteria: por isso temos que ficar nas tábuas.
Uma delas, caída, obriga-nos a passar por uma valo al lado da defunta ponte: uns 5 metros de profundidade, com uma rampa dedescida e outra de subida mauito íngremes, passei até bem, o Célio decolou na saída, mas com maestria dominou a montaria.
As histórias são tantas, que aos poucos vamos contando.
Mas também não podemos deixar de dizer que as belezas são imensas, bosques de palmeiras deslumbrantes, alagados maravilhosos, árvores imensas, bandos de araras voando, macacos e outros mamíferos como pacas, cotias etc atravessando a pista. Quando voce pensa que vai morrer de cansaço e calor, surge uns 200 ou 300 metros de asfalto estreito e quase tomado pela vegetação adjacente, que nos permite imprimir um pouco mais de velocidade e com isso refrescar o corpo.
Quando parava, tirava imediatmente a jaqueta e pendurava no guidão da moto e ele ficava lá pingando suor. Impressionante.
Pra resumir: só vá pra 319 se estiver realmente convencido que aguenta o tranco com humor,porque ficar nervoso alí é fatal.
Prepare-se pra fazer o trajeto em 4 dias, mesmo sendo perfeitamente fazer em um e meio, com sorte.

Tenho que dar um voto de louvor à Sara, que fez muito mais que uma mulher comum poderia fazer. A nossa amiga é diferente, obstinada, lutadora e incrivelmente bem humorada. Desconheço outra que chegasse onde chegou com a moto que estava.´É uma felicidade tê-la como amiga e companheira.

AMIGOS, estou postando de Alter do Chão. Infelizmente a conexão é uma merda e o micro pior ainda. Não estou conseguindo upar as fotos, então pra não perder a paciência, vou ficando por aqui, e diretamente de Belém atualizo tudinho. O que tenho encontrada a partir de Manaus são péssimas Lan houses. Tem Wifi pra todo lado, mas as Lan são uma lástima.
Até Belém, e vou tomar uma cerveja lá na orla.
Beijos.

<O Clóvis definiu muito bem o que se passa na 319. O que fica mesmo é descobrirmos, num local ermo e distante, o quanto vale a camaradagem e a bondade das pessoas. Fomos agraciados com uma experiência de relacionamentos incrível nesta travessia! A BR em si, uma estrada difícil. Como eu dizia no trecho: É malhar ferro frio o dia todo!> Célio

Deixando o acampamento

Ponte sobre o Rio Tupunã quase pronta


Nós ainda temos que usar a balsa

Nosso pilotero, Cuecão de Couro, sempre com alta concentração de álcool na circulação rs...

No fim dá tudo certo e chegamos do outro lado




Quase lá! Um 1km para a balsa que atravessa o Rio Amazonas em direção a Manaus


Acomodando as motos na balsa




Operação tensa de transferência de gado do caminhão para outro barco





Hotel 5 estrelas em Manaus!!


8 comentários:

  1. Estamos daqui acompanhando e curtindo a distância. Bom proveito e boa sorte no trecho que ainda falta! Abs.

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  2. Amigo Clóvis, só agora estou vendo as suas postagens, que aventura ein!
    Tivemos muita sorte em fazer a Br 319 sem chuva e isto no proporcionou fazer em 2 dias, mas não foi fácil não.
    Teve tres grupos de motociclistas que encontraram voces no caminho, um casal de estrangeiros, mais um pessoal de BMW do Paraná e um rapaz que estava sozinho de Roraima com uma XRE.
    Clóvis estou de olho,o mais difícil já passou, divirtam bastante amigo e nos encontramos na estrada como em Aguas Calientes...

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  3. Fala Clóvis. Estou de olho nas postagens. Sinto um misto de vontade e de falta de vontade de fazer esse trajeto. Muito bom os relatos. Parabéns para moça "Sara' de Fazer. Desejo suerte pra vocês e que tudo dê certo com as motocas. Pelo visto a Lander que foi indicada pelo SIDVERT está indo bem. Abraço gaudério para vocês.
    Luís Averbeck.

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  4. tenho muito orgulho da Sara.
    Boa praia pra vcs!
    abraço
    Douglas.

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  5. Saudações a todos!
    Passei a acompanha-los nesta mega-aventura.
    Boa volta... conversamos em breve...
    abraços Clóvis e Sara!

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  6. Olá Clóvis, bela aventura e relatos, parabéns a todos e bom seguimento de viagem aos amigos... Grande abraço.
    Chardô

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  7. vamos que vamos turma, parabéns aos três, principalmente a Sara...
    estou aqui ansioso pela próxima noticia e na torcida para dar tudo certo...
    abração
    Ivan - MPS

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  8. Olá Célio,

    Parabéns pela viagem!
    Agora que vi tua mensagem sobre tua viagem no meu Facebook. E por acaso você ainda está em viagem pela BR-319.
    Divirta-se!
    Abraços,
    Reginaldo.

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