quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Décimo Dia - Catarinos - Torre Brasil.


Agora sim, estamos começando a sentir a violência da 319. Saímos dos Catarinos cedo e não está fácil chegar na Torre Brasil. As irregularidades estão cada vez maiores, algum barro, pontes com certa dificuldade e cansaço extremo. Quem não tem muito preparo físico sofre bastante. Não podemos nos permitir um instante sequer de descontração. A Sara tomou um tombinho bobo, mas suficiente pra deixar ela um tanto abalada. Paramos pra descansar uma estação antes da Brasil, onde encontramos um argentino que perambula por aqui com sua bicicleta. Demos a ele um pão com mortadela e vamos prosseguir.
Mais um tombinho da Sara, agora em cima de uma ponte. Felizmente estava parada, não teve como não descer das tábuas longitudinais, podres e desgastadas. Poucos metros depois da ponte ela deu uma travada e resolveu não pilotar mais por hoje. Levamos ela pra torre e voltamos pra buscar a moto. Aqui na torre Brasil não tem ninguem, sorte que estava destrancada e pudemos entrar. Não tem água, a nossa está no fim. O Célio descobre uma cisterna e tira água com a caneca amarrada numa cordinha que ele trouxe. A traia começa a funcionar. Hoje temos macarrão com rúcula, ricota e azeitonas pretas para o jantar. Um pouco melhor que o cardápio de ontem, mas mesmo assim uma porcaria. Montamos as barracas e nos preparávamos pra dormir quando surge aqui o Ramon, o argentino andarilho. Um papinho e ele vai pro outro lado da torre dormir, até porque é discreto e não enche o saco de ninguem. Nada de banho novamente, os lencinhos umedecidos da Sara estão sendo disputados no par ou impar. Lá pelas 8 da noite, bem escuro, nos aparece um camionete com luzes na capota. Como tínhamos encontrado carros do ICMBio e da polícia ontem, e ficamos sabendo que estavam atras de possíveis traficantes que se infiltravam pelos igarapés, resolvemos nos manter calados. Os dois da camionete pararam lá fora e entraram chamando os funcionários da torre. Eram uns viajantes do Rancho Pantaneiro, que vendem produtos agropecuários. Nos apresentamos e eles já descarregaram churrasqueira, carne, linguiça, pão, refrigerante e um litro de pinga. Um sertanejo raiz embalou a festa que durou até a uma da madruga. Fotos, risadas, piadas e um bom papo era do que precisávamos pra levantar o moral.
Encontro com o andarilho argentino na Torre Ariquemes.
No local conhecido como Toca da Onça, logo após os Catarinos.

Os cajueiros às margens da BR estavam carregados.
Sara encarando mais uma ponte.

Um caju e uma água quente para hidratar.



Chegando à Torre Brasil tivemos que retirar água de um poço. Nada como ter na bagagem uma corda e uma caneca!

De caneca em caneca resolvemos a questão da água.

Acampamento armado para passarmos a noite sozinhos na Torre Brasil.

Para quem está no meio da selva amazonica podemos dizer que tínhamos acomodações bastante confortáveis.

Cozinha armada para preparar o jantar. Macarrão ao Sugo Liofilizado.

As pessoas na sala de jantar...

Só posso dizer uma coisa sobre essa comida: Saudades do bom e velho miojo com sardinha!

E derrepente, chega uma dupla de camionete. Com churrasco e refrigerante gelado, dá para imaginar?

Antes do jantar.

No alto da Torre Brasil

Visão geral das nossas acomodações.


Churrasco na BR319. Qual a chance disso acontecer? Obrigado ao Rancho Pantaneiro!!

O Clóvis até tomou umas doses de 51 Ouro para amaciar o colchão de cimento! rs...

À tarde eu desejei um chimarrão. À noite eu ganhei um Tereré, muito mais adequado ao calor da Amazonia.

Nossos amigos, um preparando drinks e outro na churrasqueira.

Muita fartura e alegria! Coisas de BR. Só quem está na estrada pode entender...

Nono Dia - Humaitá-Catarinos

Levantamos bem cedo, café leve, compramos tres galões de 10 litros com gasolina e coloquei um na moto da Sara e dois na minha. O Célio está levando um galão de 20 e um de cinco. Bagagem incrível, que vai provar a sua importância no decorrer do trajeto.
Saímos logo, esperando encontrar os tais 30 km de asfalto pra chegar até o início da 319, mas na verdade o que encontramos foi este trecho em obras. o Exército está fazendo o trevo e este trecho. Havia chovido um pouco, por isso ali não tinha barro nem poeira. Chegamos finalmente ao início da jornada mais crítica.
Depois das fotos, Vamos com tudo. Alguns km, a aprimeira surpresa: um banco de areia muito fina, com o Célio na frente levantando poeira me obrigou a sair da rota pra evitar o poeirão. Entrei foi no grosso da areia e perdi o controle da moto. A Sara, que vinha logo atrás, parou e ficou assistindo. Felizmente apliquei a velha técnica: reduzi uma marcha e acelerei tudo. A moto sambou mais que a Carla Peres nos tempos do Tcham, mas logo alinhou e me safei. Paramos pra comentar. Foi muita sorte. Pau na máquina.
Logo depois, mais pauleira: uma chuva forte fez um belo barro em um trecho e vimos tocha pra passar, mas passamos e seguimos em frente até Realidade, onde comemos um pedaço de bolo na padaria, tomamos mais água, colocamos alguma gasolina no tanque e descansamos um pouco. Mais pauleira até os Catarinos, onde chegamos realmente cansados, suados, mortos de sede e na maior adrenalina. Depois de um papinho com os Catarinos, nos ajeitaram a escola pra passarmos a noite. É um prédio alto do chão, todo de madeira, onde são ministradas aulas pras crianças da redondeza. Nos impressionou a arrumação de tudo e o material didático. Infelizmente não teve banho, só uma torneira dágua. Alí fizemos nossa primeira refeição liofilizada, de arros-carne de soja-purê de batatas e feijão tropeiro. Horrível, mas absolutamente necessário.
Dormimos no chão, em cima dos panos das barracas. No dia seguinte, criamos coragem e abrimos uma porta que havia na sala de aulas e encontramos duas redes e um colchão. HAHAHAHA, era o que merecíamos.Os Catarinos são uma familia que estão na BR q muitos anos, criam algum gado, mas o forte deles é a manutenção das pontes que possibilitam a conservação da rede de fibra ótica que conecta Manaus com o resto do Brasil. Eles tem 4 tratores, com os quais trabalham nas pontes e roçam parte da rede, várias motos de trabalho e são respeitados na 319. Fora dos domínios deles, as pontes estão bem mais precárias.
Impressionante como a Sara tem se portado, não reclama, demonstra algum cansaço mas vai indo muito bem com sua moto.



Início da BR319, tudo azul! rs...

640km que demoram passar!

Resultado do primeiro atoleiro, na verdade foi o único grande atoleiro. Os outros eram poças, uma atrás da outra, diferente.

Fazer enfrentando o barro.
Olha a categoria, enfrentando a lama e pitando um cigarrinho! O cara é fera!


Como havia gasolina disponível em Realidade, optamos por não usar a que levávamos nos galões.


Parar para descançar no sol, não há sombra na estrada.


O que restou do Posto Piquiá. (A bomba, não o Clóvis, rs...)


Inscrições rupestres nas ruínas do Piquiá.

Nossas instalações na Fazenda dos Catarinos.

Essa era a água. A dica, que não ouvi, é levar TANG para colocar na água. Fica mais agradável, pelo menos visualmente.
A moça da janela!






Oitavo dia - Ariquemes-Humaitá


Chegamos em Humaitá e fomos logo pro Hotel programado, o Hotel Macedônia, que descobri logo na entrada ser o mesmo que o Paulinho Turuna ficou com o Geraldo, porque seu adesivo estava lá colado. Cidade estranha, comida mais ainda. Foi banho, janta e cama. Amanhã pegaremos a 319. Estes dias temos sentido o calor do Norte, coisa incrível. Estamos consumindo litros e litros dágua. Paramos a cada 150 km pra hidratação.



Parada para uma coca-cola no bar Dois Irmãos. Como sempre, fizemos mais amigos!

Jantar na lanchonete mais rock'n roll de Humaitá, tinha até poster do Elvis na parede.

Hotel Macedônia, porto seguro de viajantes da Transamazonica e, no nosso caso, BR319.

Preparando as máquinas.