sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Décimo Segundo Dia - Torre Embratel - 6ºBatalhão de Engenharia de Construção


Durante o dia de ontem e depois de muita conversa, resolvemos dar uma gorjeta pro Oséas, um funcionário da Embratel, pra ele levar a moto da Sara até Igapó Açu. Choveu bastante e ela não merece continuar sofrendo tanto. A verdade é que de Fazer ninguem merece estar na 319. Apesar do Michelan Sirac, a ciclistica não colabora e a garota já provou que é capaz, n]ao merece este calvário. Então ela foi na minha garupa e o Ozéas levou a moto dela. A viajem foi interessante, porque a bagagem voltou a se mostrar eficiente. Como a moto da Sara foi sendo acompanhado por outra Bros deles lá, saímos um pouco depois e em cinco minutos encontramos os dois parados com o pneu da bros furado. Usamos o kit que o Paulinho me emprestou e o compressor do Evandro, também emprestado. Ao desmontar o pneu, a camera se rasgou e o remendo se mostrou ineficaz depois de alguns km. Paramos em uma casa a beira da estrada, onde moram dois caras, que tinham matado uma anta e estavam fazendo charque de anta.... mó doidera. Aí a solução veio da bagagem do Célio: uma camera nova resolveu a situação. Ainda no caminho mais duas paradas pra tomar água, uma na casa de Dona Mocinha, onde pudemos conhecer a hospitalidade dos nativos da BR e outra numa casa de farinha, onde comemos além da propria farinha de mandicoca brava, uma paçoca desta farinha com castanha do pará, manteiga e açúcar. Gostoso, nutritivo e diferente. Chegamos em Igapó Açú lá pelas 4 da tarde e depois de uma gostosa coca cola gelada, resolvemos prosseguir até o Careiro Castanho. Atravessamos a balsa e logo descobrimos ser impossível chegar lá com dia: a estrada está uma lástima, sem barro, mas com cratera incríveis. Numa das paradas, conhecemos um cara incrível, sem um dos braços, manobra a moto serra com maestria e ainda por cima carrega na perna um macaco  barrigudo fêmea, que não larga o dono por nada. Impressionante.Conseguimos chegar com um restinho de luz no 6º BEC, o Batalhão de Engenharia e Construção, responsável pela construção da ponte em Careiro Castanho. Recebidos pelo Sub-tenente

Israel, ganhamos uma bela refeição com suco e ainda por cima um bom banho com um alojamento todinho só pra nós. Ele nos garantiu que oferecerá a todos os aventureiros que por ali passarem , tratamento idêntico. Conhecemos o Comandante e batemos um longo papo com todos.  Dormimos em lençóis do Exercito Brasileiro.

Shakira, a mascote do time da torre

Shakira e o besouro


Equipe de manutenção da fibra ótica, o que para nós é uma aventura para eles é o caminho para o trabalho de todo dia

A maioria das pontes está melhor que esta


O mais seguro nesse caso é apear e empurrar a moto



Parada para consertar um pneu

e tirar o para-lama da Fazer cheio de barro


O remendo não deu jeito, nova parada para trocar a câmara e ainda ganhamos um café feito na hora, coisas da BR319...

Parada para uma água fresca na casa da Dona Mocinha...

que tem um cajueiro na porta...


que caiu muito bem!

Clóvis avaliando a farinha

Farinheira instalada na beira da BR319 no meio do nada, tecnologia aprendida na internet e objetivo de ser o maior produtor de farinha da região. Sucesso meu amigo!

A mão de obra é a família, o produtor reclama da falta de estrada para escoamento da produção

Pé de moleque e café com leite, quer mais? Bençãos da BR319..



Pé de moleque na folha de bananeira




Chegando a Igapó-Açu

Esta empresa tem 4 Kombis preparadas com suspensão alta e um guincho elétrico para enfrentar a BR319.  Fazem o percurso Manaus-Lábrea em dois dias, toda semana!

Balsa em Igapó-Açu e a falsa sensação de que o pior já passara.

Admiro muito quem usa a BR319 como uma estrada normal como estes motoristas das Kombis.

Atravessando o Igapó-Açu

A pedreira continua, parada para descansar

Vários desvios, crateras, obstáculos, a cada um mais pesado uma parada. São cerca de 50km que estão destruídos

Na foto é difícil imaginar, mas nesse buraco deve caber uns 3 onibus

Em alguns pontos passamos por uma faixa estreita de asfalto a beira de barrancos de terra

Seguros e muito bem instalados no acampamento do 6º BEC



No 6ºBEC com o Sub Tenente Israel. Recepção calorosa e apoio num momento difícil da viagem.



Décimo Primeiro Dia. Brasil até próxima torre.

 
Hoje amanheceu e os churrasqueiros foram embora logo. Desmontamos o acampamento e carregamos as guerreiras. Andamos uns 500 metros, uma nova ponte detonada fez a Sara desistir de pilotar. Logo passou uma família viajando de carro que nos deu bolachas e uma garrafa de suco. Estávamos sem comida.Decidimos voltar a moto pra torre e levar a Sara de garupa até a próxima torre, pois  tivemos notícias que os funcionários das torres estavam lá. Realmente lá estavam, e foi assim que conhecemos o Padeirinho e seus companheiros. Estavam em 6, sendo tres de uma torre mais à frente. No momento que chegamos, estavam o Padeirinho e um tal Soldado, que nos receberam muito bem, nos deram água, uma refeição de arroz com feijão gordo, com linguiça calabreza e suco gelado.Resolvemos ficar ali até o dia seguinte, não avançando mais que 40 km. Buscamos a moto da Sara e fomos brindados com um aguaceiro ao entardecer. Eles estão com problemas de abastecimento de água e estão usando a dos igarapes vizinhos. No racionamento, meus companheiros tomaram banho na bica da chuva. Eu fiquei mais um dia no lencinho. Comemos com os funcionários, refeição idêntica ao almoço. Muito papo, muitas histórias. Todos tem um passado, e ali não é diferente, desde migrantes até ex garimpeiros abriram seu coração. Talvez em homenagem a Sara, ganhamos o direito a colchões e redes pra dormir. Vamos ver  o que faremos amanhã.
Precaução ao passar as pontes em piores condições. São poucas, mas cair num igarapé pode estragar o passeio rs...

Mais uma das ruins.

Uma idéia, otimista, do que é a estrada nos pontos sem asfalto.

Tem quem acelere e passe direto. Nós empurramos a moto com o maior cuidado.

Um pouco de lama, depois asfalto, assim sucessivamente o dia todo...

Mesmo no asfalto deve-se ter muita cautela.

Primeiro contato com a equipe de manutenção da fibra ótica.

Ponte boa.



É escolher o caminho mais seco e seguir. Rabeadas e danças são inevitáveis!

A mata já tomou meia pista neste ponto. Nos pequenos trechos de asfalto aproveitamos para relaxar a musculatura e melhorar a média horária.


Relax após chegarmos na torre com a equipe de manutenção

Brincando com a Shakira!

Exterminador de baratas selvagens!



Clóvis visto do Google Earth...

Esse retão é a BR319


No alto da Torre Brasil. Com o retão da BR319 ao fundo.