A dona Maria que está ao meu lado e o Baiano da outra rede tem boas histórias pra contar e logo cedo já estamos nos falando. Alguns guris de 10 ou 11 anos vem com suas canoinhas, umas 5 canoas com uns 10 garotos e garotas, se aproximam do navio e jogam um gancho nos pneus que são pendurados ao lado da embarcação, se amarram nela e entram pra vender camarões secos, açaí e palmitos. Depois de alguns km, eles acabam os produtos e se soltam e voltam pra casa. Acho que eles subiram o rio enganchados em outro navio e agora estão voltando no nosso. De duvidar a coragem e habilidade destes garotos no meio do rio, eu não deixaria meu filho fazer aquilo.
A experiência de navegar neste trecho é única, dificilmente vou me esquecer destes dias. Enormes balsas são ultrapassadas, nelas caminhões e containers incontáveis. A lua cheia nos brinda com visões impressionantes na noite.
Tento falar com um amigo em Belém, mas não consigo, só dá caixa postal, mas o Baiano que está viajando conosco e foi visitar um irmão em Manaus, nos dá a dica de um Hostel em Belem e vamos direto pra lá. O barco chegou lá pelas 10 da manhã e vamos passear pela cidade depois do banho. Saímos pra almoças com um casal de amigos do Célio, o Paim e a Naza. Eles nos levam até o Poit do Açaí e nos delíciamos com a culinária paraense. Depois fomos conhecer o Portal da Amazônia, um shopping de jóias e artezanato que foi montado em uma antiga prisão e vamos preparar as motos pra partida amanhã. A noite foi legal, com a visita a Estação das Docas, onde jantamos e voltamos pra dormir. Amanhã saímos cedo.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Vigésimo Segundo dia Embarque Satarém - Belém
Acordamos cedo, compramos algumas coisas que queríamos, inclusive tucupi pra levar pro Daniel e embarcamos as motos. Ainda o clima de improviso, com mais uma rampa surreal. Conseguimos não cair no rio. Agora estamos ao lado da Dona Maira, que volta de Manaus pra casa, em Monte Alegre. Este barco não sacode como o primeiro e os banhairos são ainda mais fedorentos. Impressionante como o ser humano é porco. As camareiras limpam tudo e ficamos de olho: assim que acabam, corremos tomar banho, porque em alguns minutos a respiração lá dentro vai ficar insuportável. No bar, música alta e muita cerveja e vodca barata. Muita gente mal encarada. Mas ficamos conversando com os novos amigos e o tempo passa ligeiro. A navegação deste trecho é bem mais prazeirosa, com belas paisagens , porque o navio entra por passagens estreitas e em alguns momentos quase toca as margens. Linda a floresta por aqui. Este navio tem outra opção pras refeições: um bufê que funciona em sala própria e se paga um pouco mais que o prato feito, mas vale a pena. A Sara comprou um baralho, mas duvido que vamos jogar. as redes balançam e o sono logo chega...
Vigêsimo Primeiro Dia. Ainda na Flona.
Acordamos bem cedo hoje, com ruidos de animais e depois do café chegou o guia. Foram andar pela floresta e o Moisés que é muito conhecido por aqui me chamou pra visitar amigos. Andei pra caramba com ele, conheci outras comunidades por ali. Eles extraem o látex, fazem artesanato e cultivam roçados pelas redondesas. São organizados em comunidades e são felizes. O Eugênio é responsável por parte desta organização e mantem um navio hospital que anda por ali levando médicos e dentistas. Muito interessante tudo isso. Voltamos lá pelo meio dia e logo os sertanistas voltam do passeio. Adoraram tudo, ficam me contando e me arrependo de não ter ido. Almoço e banho de igarapé completam o dia, vamos embora quase ao entardecer e paramos em outra praia, local onde eram feitos os embarques de látex antigamente. Ainda existem ali as ruinas de vagões e da linha de ferro que existiam. Paramos ali pra comer arraia, o penúltimo prato que a Sara queria experimentar. O local se chama Pindobal.
Havíamos fechado o hotel, então só pegamos nossas motos e vamos pra Santarem, onde nos hospedamos num hotelzinho lá perto do porto pra amanhã pegarmos o navio catamarã Rondônia, com destino a Belém.
Jantamos pasteis e sorvete e com calor de mil graus fomos pra cama.
Havíamos fechado o hotel, então só pegamos nossas motos e vamos pra Santarem, onde nos hospedamos num hotelzinho lá perto do porto pra amanhã pegarmos o navio catamarã Rondônia, com destino a Belém.
Jantamos pasteis e sorvete e com calor de mil graus fomos pra cama.
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