Algumas considerações sobre a BR 319:
-Quem se aventurar a ir desafiá-la, tem que estar preparado fisicamente, porque a falta de estrutura transforma a aventura numa verdadeira loucura: tem que levar muita gasolina, água que fica quente em poucos km, comida pra pelo menos 4 dias, porque tudo pode acontecer. Ferramentas e kit pra reparo de pneu é indispensável. Instalei uma tomada de 12 V que se mostrou muito eficiente com um compressor. Não dispense barracas, toalhas e sabonetes.
-Nunca vá com moto que não tenha afinidade off road, mesmo tendo experiência e vitalidade, o sofrimento é grande, tivemos que tirar os paralamas devido ao barro e mesmo assim foi extremamente extenuante. Já na Lander e na XRE foi suportável. Levei a Sara na garupa e não foi fácil.
-Conte com os nativos, pois são incrivelmente gentis e prestativos. Dão lição de solidariedade e sempre que precisamos não nos decepcionamos.
-A 319 separa os homens dos meninos, hehehehehehe. Acredite: andar alguns km no off é gostoso, mas fazer mais de 500 não é mole não. A gente vai dormir quebrado, como se tivessemos trabalhado na enxada o dia todo. É trabalhado mesmo.... e quando acorda, ainda debilitado e mal dormido, tem que recomeçar. Atravessar suas pontes tem 3 diferentes aspectos: Primeiro as normais, quase como uma ponte normal, só que são enormes mata-burros com tábuas nos locais onda passam as rodas de um carro; segundo, as podres e quebradas, com vãos entre as tábuas longitudinais, verdadeiras armadilhas, ou ainda com a tábua interrompida no meio da ponte, transformando em loteria a escolha do lado certo pra ultrapassá-la; em terceiro, agumas são mais altas que o leito (?) da estrada, com uma rampa pra subir e outra pra descer. Não poucas vezesa gente entra lotado e sai ou voando ou em uma roda só, com 50 metros ou mais de ponte pra seguir sobre a tal táboa. O meio da ponte, em formato de mata-burros, nem sempre é confiável, pode ter madeira podre ou já esburacada, então é outra loteria: por isso temos que ficar nas tábuas.
Uma delas, caída, obriga-nos a passar por uma valo al lado da defunta ponte: uns 5 metros de profundidade, com uma rampa dedescida e outra de subida mauito íngremes, passei até bem, o Célio decolou na saída, mas com maestria dominou a montaria.
As histórias são tantas, que aos poucos vamos contando.
Mas também não podemos deixar de dizer que as belezas são imensas, bosques de palmeiras deslumbrantes, alagados maravilhosos, árvores imensas, bandos de araras voando, macacos e outros mamíferos como pacas, cotias etc atravessando a pista. Quando voce pensa que vai morrer de cansaço e calor, surge uns 200 ou 300 metros de asfalto estreito e quase tomado pela vegetação adjacente, que nos permite imprimir um pouco mais de velocidade e com isso refrescar o corpo.
Quando parava, tirava imediatmente a jaqueta e pendurava no guidão da moto e ele ficava lá pingando suor. Impressionante.
Pra resumir: só vá pra 319 se estiver realmente convencido que aguenta o tranco com humor,porque ficar nervoso alí é fatal.
Prepare-se pra fazer o trajeto em 4 dias, mesmo sendo perfeitamente fazer em um e meio, com sorte.
Tenho que dar um voto de louvor à Sara, que fez muito mais que uma mulher comum poderia fazer. A nossa amiga é diferente, obstinada, lutadora e incrivelmente bem humorada. Desconheço outra que chegasse onde chegou com a moto que estava.´É uma felicidade tê-la como amiga e companheira.
AMIGOS, estou postando de Alter do Chão. Infelizmente a conexão é uma merda e o micro pior ainda. Não estou conseguindo upar as fotos, então pra não perder a paciência, vou ficando por aqui, e diretamente de Belém atualizo tudinho. O que tenho encontrada a partir de Manaus são péssimas Lan houses. Tem Wifi pra todo lado, mas as Lan são uma lástima.
Até Belém, e vou tomar uma cerveja lá na orla.
Beijos.
<O Clóvis definiu muito bem o que se passa na 319. O que fica mesmo é descobrirmos, num local ermo e distante, o quanto vale a camaradagem e a bondade das pessoas. Fomos agraciados com uma experiência de relacionamentos incrível nesta travessia! A BR em si, uma estrada difícil. Como eu dizia no trecho: É malhar ferro frio o dia todo!> Célio
| Deixando o acampamento |
Ponte sobre o Rio Tupunã quase pronta
| Nós ainda temos que usar a balsa |
| Nosso pilotero, Cuecão de Couro, sempre com alta concentração de álcool na circulação rs... |
| No fim dá tudo certo e chegamos do outro lado |
Quase lá! Um 1km para a balsa que atravessa o Rio Amazonas em direção a Manaus
| Acomodando as motos na balsa |
| Operação tensa de transferência de gado do caminhão para outro barco |
| Hotel 5 estrelas em Manaus!! |